9 de mai. de 2011

Por trás de uma matéria

            O jovem repórter flana apressado pelas ruas do Bom Fim, num calorento final de tarde em Abril. Acelera e aumenta a largura de suas passadas desde que saltou de seu ônibus. Tudo no medo de se atrasar para um compromisso. O jovem repórter (e talvez jovem seja mesmo o adjetivo certo) dobra esquinas, atravessa ruas e vai, mentalmente, armando as perguntas da entrevista para a qual se dirige. A entrevista, sua primeira, seu primeiro trabalho jornalístico, sua primeira incursão na vida que almeja e que, agora, soa assustadoramente próxima.
            O jovem repórter anda poucas quadras na movimentada avenida Oswaldo Aranha, sobe a Rua Fernandes Vieira e dobra na Rua Vasco da Gama. Pouco depois, encontra a Palavraria. Respira e entra. É uma agradável livraria de bairro, miúda e muito simpática com suas estantes forradas cercando várias mesinhas, destinadas a quem por ali toma um café. O repórter olha o relógio: apesar do medo do atraso, está na hora, até mesmo um pouco antes dela. Pega um pequeno livro na estante e o folheia, no aguardo de sua fonte, que não tarda: poucos minutos depois, entra no lugar Luciana Thomé. Ela chega rindo e brincando com os funcionários ali, além de alguns amigos que esperam um evento a ser realizado logo mais.
            O jovem repórter se apresenta a ela, que o cumprimenta na mesma solicitude já demonstrada na troca de e-mails que precedeu o encontro. Sentam-se em uma das já citadas mesinhas. O jovem repórter abre sua mochila e saca o caderno e a caneta. Há uma conversa prévia, descontraída, a “quebra do gelo”. Mas não dura muito e o jovem repórter logo começa.
            O jovem repórter tinha como pauta (sugerida por ele mesmo) o sucesso de uma editora literária independente, a Não Editora, de importância na atual cena literária gaúcha. Ele pergunta a Luciana Thomé - uma das fundadoras da editora, junto de outros 5 jovens (todos tendo entre 25 e 30 anos) - coisas como “Da onde veio a idéia de bancar a editora?”, “A que vocês creditam o sucesso?”, entre outras, ditas de forma um tanto nervosa no começo. O jovem repórter sabe o que fazer, mas não tem a certeza de que faz certo. Ansiedade de principiante. Thomé, jornalista de formação, lhe dá umas dicas, ri junto. A entrevistada perfeita.
            O jovem repórter, uma hora após o início da entrevista, acredita ter coletado informações o bastante, e informações interessantes. Ele dá as perguntas por encerradas e agradece Thomé por toda a ajuda. Promete lhe enviar a matéria quando pronta. Guarda seu caderno, agora recheado de matéria-prima e sai.
            O jovem repórter desce até a Oswaldo Aranha. Pensa um pouco e desiste de pegar um ônibus – mora perto mesmo. Caminha, então. O jovem repórter vai pelo Parque da Redenção, que escurece lentamente, enquanto monta em sua cabeça pulsante os fragmentos que tem, enquanto escreve mentalmente sua matéria. O jovem repórter vai, absorto em seu primeiro trabalho jornalístico.
            O jovem repórter, agora mais repórter do que nunca.

Um comentário:

  1. Ei :} Não achei outra maneira de tentar falar contigo, então espero que leia esse comentário. Vi que você posta no twitter frases do Caio Fernando Abreu e que mantém o blog ''Algumas Valsas''. Aliás, o modo como escreve me lembrou o Caio. Gostaria de poder conversar contigo sobre livros, textos, Caio... Enfim. Se desejar, me adicione no msn: julianac_x@hotmail.com (Apague esse comentário quando ver, afinal não faz menção ao seu post) Boa noite!

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