26 de mai. de 2011

Passos simples para tornar vinte minutos em vinte segundos

Sexta-feira, 26 de Maio - Manhã, oito horas e alguns poucos minutos. Um a um, na direção do estúdio apertado. Um após o outro, passos firmes, a velha caminhada cinematográfica . Sou o terceiro a entrar e me sentar. Tiro da mochila minha cópia do roteiro (o "quase-roteiro") e algumas outras anotações, contextualizações dos assuntos tratados, um roteiro das festas do final de semana, pequenas notas para não se perder.

Temos vinte minutos antes de entrar no ar, é o que diz o professor que nos acompanha. Conversamos, os oito (falta uma das integrantes, que foi viajar) debruçados sobre a mesa dos microfones, tentando definir de última horas certos detalhes já definidos. Não posso falar pelo outros, mas não estou nervoso - é só aquela sensação de estar prestes a realizar algo importante. O tempo se esvai numa velocidade atordoante, uma prévia dos outros vinte minutos que nos aguardam, aqueles em que estaremos no ar.

É dado o sinal. Começamos. Marcos, nosso âncora e operador de mesa introduz o programa, seu nome e seus integrantes. "Estou aqui com Léo, Carol, Constance, Luis, Eduardo, Bruna, Pedro". Cada um dá seu bom dia (e uma ou outra piadinha) e já passamos à primeira pauta: a aprovação, na Câmara dos Deputados, da reforma no Código Florestal. É uma discussão acalorada. Como havíamos decidido antes, não damos apenas a notícia como também a debatemos. Apelamos à comunicação, além da informação.

A conversa rende e precisamos definir um ponto de corte. Sinais com as mãos, mensagens escritas: apelos não-sonoros para que possamos passar para o próximo tópico. Eduardo introduz o assunto "Strauss-Khan" e ele também rende. Conversamos como se não houvessem esses microfones nervosos a nossa frente (embora os ponteiros do relógio a se mexer seja uma lembrança recorrente).

É hora do "Momento Então Te Liga", uma brincadeira nossa, um giro pelo que a noite porto-alegrense oferece no próximo final de semana.

Logo após mais discussões políticas, novamente introduzidas por Eduardo. Agora é o caso Palocci. Interessado em política, me jogo no assunto, que chega até mesmo a ultrapassar parte de seu tempo previsto. O tempo urge, ruge em nossos ouvidos. Os sinais com as mãos ("Corta! Parte pra outra!", apelos ditos sem voz, entendido pela leitura dos lábios ansiosos). É dado um fechamento e parte-se para as pautas esportivas. Mas há pouco tempo hábil. Temos de cortar assuntos e reduzir os que são ditos - e ainda há um pequena discussão acerca do horário certo de um jogo (as informações contraditórias, ah, o abismo escuro, perigo maior do Jornalismo). Nada demais, porém. Resolve-se rápido, no ar, e com o humor (algo que tentamos introduzir a todo momento, a leveza da auto-ironia).

Então acaba. Como se tivesse recém começado. Como se vinte minutos fossem vinte segundos, a areia da ampulheta desenfreada. Resta um sentimento adocicado de tarefa (bem) realizada. E a vontade de fazer mais. O rádio é secular e engrenagem vital na máquina jornalística - engrenagem na qual queremos embarcar. Não que tenha sido perfeito, claro, mas foi satisfatório, gaguejos e vácuos à parte - e a perfeição só se atinge pela prática (isso se não for uma utopia distante).

Absorver o que foi bom, limar o que não foi; fazer o balanço final. Pensar nos próximos desafios (um programa de televisão, logo ali na esquinam a nos espreitar). Até logo, ouvintes.


A gloriosa careca de nosso âncora, em destaque.

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